quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mitologia: Frigga e a morte de Balder

Frigga.

Na mitologia nórdica, Frigga é a esposa de Odin, rainha do clã aesir e deusa da família, do amor e da união. É conhecida como a mais bela entre todas as deusas.

Filha de Fjörgyn, o deus da terra e mãe de Hermod, Hoder e Balder, a rainha de Asgard tem o poder da profecia e é detentora de uma enorme sabedoria, conhecendo o destino dos homens, sem, no entanto, jamais o revelar e é a única, à exceção de Odin, a quem é permitido se sentar em seu elevado trono Hlidskjalf e olhar para sobre o universo e os nove mundos.

O salão da deusa em Asgard é Fensalir, que significa "salões do pântano". Assim como o marido, é uma deusa complexa sendo representada com diferentes faces. Muitas outras deusas da mitologia nórdica são consideradas aspectos de Frigga, como Sága, Hlín, Sjöfn, Snotra, Vár, e Vör.

Frigga.

Nos mitos nórdicos, os deuses não são imortais como em outros panteões, eles necessitam comer das maçãs da deusa Idun para adquirirem juventude e força, escapando da morte.

Sendo assim, Balder, filho de Frigga, teve um sonho que anunciava sua morte, e que esta seria uma das causas e um dos sinais da proximidade do dia de Ragnarok, o fim do mundo. Frigga amava muito Balder e ficou desesperada.

Então mandou Gna, sua mensageira, percorrer o mundo no seu cavalo mágico recolhendo o juramento de todas as criaturas vivas que não lhe fariam qualquer mal. Assim Balder ficou invulnerável a todo e qualquer ataque, inclusive ao das doenças.

Como Frigga tinha o dom de prever o futuro e tinha visto que o seu filho iria sucumbir ao destino que o sonho transmitira, recorreu a este estratagema para retardar a morte de Balder.

Os deuses atiraram-lhe então todo o tipo de objetos afiados e confirmaram alegremente a sua imunidade. Mas o deus Loki não partilhou da alegria geral e pensou para si que, dada a rapidez com que Gna tinha efetuado a viagem para recolher as promessas, de certo tinha esquecido de alguma criatura.

Disfarçou-se então de velha e foi até o salão de Frigga a felicitar por ter conseguido adiar de tal forma a morte do filho. A deusa agradeceu, lamentando-se no entanto de que a sua mensageira Gna se tivesse esquecido na sua viagem de falar com uma planta insignificante. Loki tanto indagou que descobriu ser esta planta o agárico, arbusto que cresce na copa de árvores como o carvalho.

Cortou então um ramo, afiou-o, e dirigiu-se para junto de Hoder, o irmão de Balder que era cego e que nunca costumava participar nas celebrações festivas pois trazia mau augúrio. Sugeriu então a ele que atirasse o ramo contra Balder para participar na comemoração, mas Hoder replicou que não podia ver o alvo devido à sua cegueira.

Loki disse-lhe que guiaria a sua mão e Hoder atirou o ramo afiado matando instantaneamente o irmão. Este ato chocou todos os deuses ao ponto de até os gigantes, inimigos dos deuses, participarem solidariamente no funeral de Balder. Nana, mulher de Balder, suicidou-se com o desgosto.

A morte de Balder.

Este funeral teve um aspeto curioso: o barco que continha a pira funerária recusava-se a sair de terra, tendo sido chamada a gigante Irokkin para o empurrar.

No entanto, Frigga não conseguiu se conformar com a morte do seu amado filho e começou a planear uma maneira de enviar ao Helheim (o mundo dos mortos) alguém com coragem suficiente para levar o resgate em ouro e trazer o seu filho de volta.

Foi o outro irmão de Balder, Hermod, o ágil, quem empreendeu a viagem, montado no cavalo mais veloz do mundo, Sleipnir, que pertencia a seu pai. Depois de nove dias e nove noites de viagem chegou à margem de um rio com uma ponte com o teto em ouro guardada por uma mulher armada que vigiava para que nenhum dos que tinham entrado no Helheim saísse nem que entrasse nenhum ser vivo.

Mas quando Hermod se identificou e disse qual era a sua missão a sentinela deixou-o entrar. Depois de percorrer o sinistro reino chegou à deusa Hel, que deixou-se comover pela dor geral que a morte de Balder tinha provocado e permitiu que este saísse do 'inferno' sob a condição de que todas as criaturas do universo derramassem uma lágrima pela sua perda.

Logo cavalgou Hermod de volta, levando o dedal de Nana a Frigga e o anel de Balder a Odin como provas de afeição, e pedindo a todos os seres vivos que chorassem a morte de Balder.

Todos derramaram uma lágrima, exceto uma gigante, Thok, que era Loki disfarçado novamente, não correspondeu às expectativas e não mostrou pena alguma. Assim, Balder permaneceu em Helheim aguardando o dia do Ragnarok.

O funeral de Balder.

Frigga tecendo.

Frigga no trono e seus símbolos.

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